Nunca Te Vi, Sempre Te Amei

Queria escrever algo para todos vocês antes das festas de fim de ano. Faltava-me inspiração, mas sempre uma ideia surge, não sei de onde, mas surge. Lembrei-me do filme “84 Charing Cross Road”, de David Jones com Anne Bancroft e Anthony Hopkins. A versão em português ficou “Nunca te vi sempre te amei”. Não tive dúvida, fui à locadora e aluguei o filme. Como foi bom rever esse lindo filme. Depois disso, tudo ficou claro. Este blog é a nossa Marks & Co., onde ora podemos ser Helene Hanff, ora Frank Doel, ora nós mesmos. O fato é que sou grata por este espaço ter sido criado, para o exercício do livre pensar. Espero que opsiquiatra.com não deixe de existir para que, aqui, continuemos publicando nossas cartas, nossas crônicas, nossos sonhos…  Aos doutores Polita, André, López e Solano; ao Simon, que cuida de toda a parte visual deste blog, e que também nos presenteia com sua lindas fotos; e como me esquecer de minha querida Raquel – que esperamos se anime de uma vez por todas a publicar suas poesias – desejo um Natal de paz e alegria, um Ano Novo de muita luz para todos nós!!!

—Monica

Cat people

image

Caro Antonio!

Fiquei muito feliz com esta novidade,para mim,deste espaço que criaste,sem compromissos com a comunidade científica ou qualquer outra coisa que não o bom humor!
Segue um fragmento intrigante sobre o desejo,preguiça e submissão!

Este paciente me veio com as melhores recomendações,um jovem médico,ansioso pela formação analítica. Tem 33 anos e trabalha em tres instituições psiquiatricas. E foi em uma destas,que ele narrou,o material desta vinheta:
“Oi Roberto,trouxe um café para voce”.
Ele colocou o café sobre a mesa e deitou no divan. Suspirou e começou a falar sobre o cansaço,transito e outras bobeiras do cotidiano…
” Voce não vai tomar o café?” Perguntou com um tiom de voz terno,quase maternal!
Fiquei em silencio.
” O café estava bom,por isso eu trouxe pra ti, pensei que voce poderia estar cansado e um café te ajudaria…”
Respondi que ele não sabia se eu gosto,quero ou posso tomar café,que ele é quem estava reclamando de cansaço e não eu. Ele mexeu as pernas,uniu as mãos e mudou de tema…
“Foi um plantão de muito trabalho,uma paciente entrou em agitação e precisou ser contida! Fui chamado e ela tinha rasgado as roupas,estava de calcinhas ,seios desnudos,cabelos longos e atrapalhados,enquanto as enfermeiras realizavam a contenção fiquei olhando para a cena…o olhar dela,misto de fúria,ódio,olhos negros! Eu lembrei na hora,do filme com a Nastassja kinski, Cat  People! Ela era uma mulher pantera,que no momento do sexo,se transformava!
Tinha que transar amarrada! Confesso que fiquei excitado!”
Quer me dizer que tu te sente assim,ficou com raiva porque não aceitei teu café e acha que eu gosto te te ver assim,se desnudando pra mim,mostrando teu ódio.
“Eu fiquei chateado com o teu descaso com o café. Eu gostaria de saber mais de ti,do que tu gosta!”
Lamento mas eu não leio pensamentos!
Então se voce quiser vai ter que pedir…
Ata-me!
Desata-me!

Bom…Creio que esta é uma pequena contribuição sobre a clinica e os diálogos possíveis.
Um forte abraço do amigo Roberto.