Eiras

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Todos os pavilhões tinham nomes de santos,os doentes misturados,viviam em  pequenos  quartos e dependiam de tudo.
Logo percebi que meus ideais,de promover saúde,bem estar e sanidade mental ficariam de fora…
Foi um fim de tarde bucólico,a luz do sol cor de laranja,a música que tocava no rádio da enfermaria,contraste louco,com aqueles alienados empobrecidos pelo abandono da família e sociedade.
Era o ano de 1993…aceitei o trabalho para pagar minha análise didática,tão desejada,planejada como poucas coisas na minha vida. Os anos foram passando,eu fui ficando acostumado com o cheiro e o descaso…A reforma psiquiátrica pos fim naquele que foi o maior hospital psiquiátrico da América Latina. Guardo na memória casos ,que por certo não verei novamente,guardo as cores do entardecer…guardo os quadros da Terumi…

Cochina Envídia 2

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Sim, eram cartas de amor, de todo tipo de amor. Amor entre namorados muito jovens, que nutriam aquele sentimento através das palavras contidas naquelas cartas. Cartas que contavam do dia a dia de cada um deles e da contagem regressiva que ambos faziam, -certamente para encher de esperanças aqueles corações,- da espera dos beijos e abraços, que imagino, tinham vontade de se dar.

Amor saudoso de pais cheios de orgulho por seu filho pródigo terminar seus estudos de medicina, nos Estados Unidos e com louvor.

Amor de amigos, que aqui ficaram na torcida pelo sucesso de Romeu, e que muito valeu à pena, pois seu amigo se tornou um grande pneumologista.

Considero uma honra ter sido escolhida por Julienne, para fazer este trabalho, que mais do que uma COCHINA ENVÍDIA, me encheu de alegria o coração. Alegria por ver que o amor de Julienne e Romeu resistiu à distância e que todas as cartas trocadas por eles, contribuíram para isso.

Peço aqui desculpas ao casal pela inconfidência aqui por mim cometida.

(Gostaria de esclarecer ainda, que a expressão “Cochina Envídia” bastante utilizada pelos espanhóis, é algo como dizer “Tremenda Inveja”.

— Monica Iriarte