Conversinha tranquilizadora…

“-Você acha que me apaixonar a cada dois meses é um tipo de problema?
-Creio que sim.
-Meu coração palpita,minha boca seca e um tipo de tremor com zumbido…lembra a música Dazed and Confused? Sim,mais ou menos assim!
-Continuo achando que deve ser também cansativo,viver entre picos e vales…a cada início,a cada fim! Talvez um tipo de viver belo e trágico,mas superposto a rotina do dia a  dia,um desafio.
– Acho que sou adicta a paixōes,já li sobre isso.
-Acrescente a isso,ciclos de anabolizantes,ketamina,nicotina…
– Sabe o que o meu filho contou do filme os vingadores…o melhor de todos é o Homem de Ferro! É rico,inteligente,bem humorado,sedutor e com boas intençōes!
-Mas ele é de ferro!!! E tú?
-AH!! Eu sou feita de tempo!!!”

O gabinete

Vinte e dois degraus!!
A escada que leva ao gabinete do Dr.Paulo tem 22 degraus!! Ao chegar,a primeira coisa que eu reparei,foi um pé direito alto,tres janelas enormes,destas,tipo portas,que abertas permitiam a entrada de luz,deixando o ambiente mais amplo!!
Duas poltronas,um sofá,mesa de centro sobre um lindo tapete persa,com muralhas azuis,vinho e cereja! A mesa de oito lugares com cadeiras de braço,ficava em frente a duas destas janelas. O chão de pinho de riga,trabalhado com cedro rosa. Outros tapetes,sob a mesa de jantar. Um serviço de louças inglesas.
A mesa de trabalho do Dr.Paulo era algo admirável,os objetos dispostos de forma simétrica,os óculos a mão,bloco com anotaçōes das tarefas…as concluídas,assinaladas em azul. Atrás desta escrivaninha uma estante em jacarandá,simples e eficiente! Música clássica!
Recebia seus clientes com um olhar carinhoso,solene e bem humorado! Os óculos na ponta do nariz permitiam uma visão bifocal…Ao levantar da cadeira de encosto alto,mostrava toda a sua elegância,nos ternos negros,nas camisas brancas e as gravatas vermelhas,as preferidas do Dr.Paulo. Sua formalidade,não combinava com o olhar acolhedor!
“O DIREITO,A JUSTIÇA, SÃO DIFERENTES!”

Fim do Mundo

“Sonhos com o fim do mundo!!!!
Foram dois,em menos de um mes!!!
No primeiro fugia da luz,não era muito claro que tipo de luz,solar ou explosão nuclear.fui salvo pelo elevador!!!
No segundo…fragmentos do filme guerra dos mundos,de 1953,misturados com deslocamentos para o trabalho,imprevistos,burocracias,autoridades e amor!!!
No meio daquele CAOS,quem me seguiu por mais de  30 kilometros, foi a cachorrinha,Ariel. 
Acordei surpreso com esse apego!!!
Parti deste ponto,o apego animal,as idéias e ritos xamanicos,a economia libidinal e monetária na sociedade de hoje,a evolução da medicina veterinária,serviços de higiene e estética,tipos de ração especificos para cada raça,tamanho e idade.Uma loja de departamentos inteira para caes,gatos,passáros,peixes,cavalos e outros tantos.
Depois de transitar pela antropologia cultural,cheguei ao óbvio,só conseguimos evoluir,com a utilização da existência dos outros animais. Creio que temos em comum o conhecimento do fim,o fim do mundo!”
  
Prezado Dr.Ramon!!
Como combinado,publiquei um trecho do relato dos sonhos do paciente do Dr.Torres.
Agora,com esta provocação,seguiremos o debate  ” o que nos faz humanos”.
abs
Dr.Antonio

Oriente Médio

Sírio e Libanes

O remédio da noite ajudou o coração diminuir os batimentos! Já era um  alento,em meio a pensamentos ruins e tanto medo de sonhar pesadelos horrîveis. Acordar e não sentir mais
os ombros pesados,as pernas presas e a sufocação do peito a boca.
Quinze minutos entre tomar o remédio,deitqr e dormir…
Novecentos segundos,não mais.
Um dia já se foi…

Foram longos 86 anos, nove mulheres,tres casamentos,quatro filhas,dois netos e um sexo alegre!!! E agora doente…precisando de ajuda!!. Acho nunca estive preparado para precisar de alguém! O entusiasmo pela vida me fez passar por ela e não ver!!
Acho que não sei quem eu sou,assim,deitado,sabendo de todos os lugares lindos,que vi,os amigos que encontrei e agora tenho que tocar esta maldita campainha,que alguem venha que as vezes eu toco,só pra atormentar este alguém,poder dizer que estou vivo!!! Cuide bem de mim!!! Mesmo que seja aos gritos!!!…

COCHINA ENVÍDIA

COCHINA ENVÍDIA

Toca meu celular por volta das 10h da manhã. Era uma moça chamada
Julienne, indicada por uma colega que já deixou para trás o ofício da
encadernação. Julienne me pergunta se posso ajudá-la a pensar e a
executar uma forma de acondicionar cartas. Ela tem urgência pois quer
presentear o marido que aniversariará dentro de alguns dias. Ofereço o
horário da manhã daquele mesmo dia e imediatamente ela aceita. Quando
chega em casa para juntar as cartas em questão, se dá conta de que não
conseguirá chegar a tempo em meu atelier. Então me liga pedindo outro
horário. Como havia ficado curiosa em ver e saber mais sobre aquelas
cartas, acabo concedendo o horário das 18h. Algo que não gosto de
fazer, pois, ao terminar minhas aulas, estou sempre muito cansada.
Dou então a aula da tarde, como sempre, com grande alegria e prazer.
As aulas de terça-feira à tarde, são sempre muito divertidas, graças a
uma aluna chamada Maria Thereza. Uma criatura simplesmente adorável.
Cheia de senso de humor, extremamente elegante e sempre com novidades
para nos contar.
Logo depois de terminar a aula, chega Julienne. Peço a ela que me
mostre as cartas, a fim de que eu possa ter alguma  ideia de seu
conteúdo. Julienne tira, de uma sacola, montes de envelopes aéreos
presos por elásticos e separados por cartas trocadas durante o tempo
de namoro. Um terceiro monte, também preso por elástico, de cartas
escritas depois do casamento. Cartas de amor, penso. Percebo que uma
certa inveja toma conta de mim. Sempre gostei de cartas; daquela
ansiedade durante o tempo de espera pela resposta e de toda a emoção
contida naquele papel e naquelas palavras, escritas geralmente com
letra bonita e legível. Agora ela me pergunta: O que você me sugere?
Respondo que uma caixa com divisórias, para que fiquem como estão,
guardadinhas dentro dos respectivos envelopes. Aquela era a maneira
mais simples que eu havia encontrado de não provocar a minha
curiosidade ou aumentar minha inveja. Pois imaginava que aquelas
cartas, certamente, continham lembranças das juras de amor. Dos beijos
dados sob um céu estrelado de desejos. Dos banhos de mar abraçados,
deixando o movimento da água tornar aqueles abraços com sabor de
eternos… Julienne imediatamente acabou com meus devaneios, me
chamando de volta ao que tínhamos que resolver. Ela diz que prefere
algo com jeito de livro, para  que as cartas fiquem abertas  e, por
último, para que fique bonito na estante. Posto isso, explico-lhe,
então, como deveria ser feito. Ajudo a definir o material de
revestimento e as cores. Julienne concorda com tudo. Peço para ela
levar para casa e por tudo na ordem desejada. Assim feito, traga de
volta para que eu possa fazer meu trabalho.
Ponho-me a pensar porque uma pessoa gostaria de ter suas cartas à
vista de qualquer um. Não seriam cartas de amor?

Monica Iriarte